Chamaeleo chamaeleon

Back from the land of the Portuguese chameleons with a ton of photos. But what truly remarkable beings they are. 

Overshoot Day

Hoje, 2 de agosto, já utilizámos mais recursos e serviços ecológicos do que o planeta irá conseguir repor durante o decorrer do resto do ano. Temos uma sociedade assente no consumo, pelo consumo e para o consumo, onde o desperdício é tido como algo de natural, onde o dominante comum a todos os discursos políticos é o crescimento e o aumento da produção. 

http://www.overshootday.org

European nightjar

Todas as histórias têm um início e esta, em bom rigor, começa com três tiradores de cortiça e um garrafão de vinho.

Andava ainda de volta dos mochos-galegos, quando em conversa com três tiradores cortiça que conheci, se começa a falar de uma forma geral, da sua profissão e dureza do serviço, mas também do estado do montado e diversidade do ecossistema. A conversa foi fluindo em torno de observações que iam fazendo, isto de se andar sempre no campo tem assertivamente as suas vantagens, até que e,  fruto da época, perguntei pelos noitibós. Pronta saiu de um deles a resposta, “xiii bicho feio”, ao que respondi que sim, não eram lá muito vistosos, mas que talvez por isso os achesse tão interessantes.

É certamente uma das aves mais misteriosas da nossa avifauna, estão mesmo ao nosso lado, mas caso não se mexam, nem sonhamos que ali estão, tal não é a camuflagem simplesmente prefeita que possuem. Faz 5 ou 6 anos que não os fotograva, via-os ocasionalmente à noite nas estradas, principalmente nas estradas florestais na zona de aljezur. Para dizer a verdade, lá, nunca vi esta espécie, mas sim um parente próximo, o noitibó-de-nuca-vermelha, que se distingue por possuir um colar ruivo em volta do pescoço e também por ser um pouco maior.

Já tinha um ninho identificado, mas perante aquele conhecimento de campo, perguntei se tinham visto algum a levantar pelas redondezas. “Se pingar um garrafão de tinto, pode ser que tenha sorte”, sorri e concordei perante a espontaneidade, no dia seguinte lá estava eu a cumprir o combinado, mas também a ver mais um ninho de noitibó. Ninho, não sei se lhe posso chamar isso, pois esta espécie põem os ovos diretamente no solo, sem qualquer tipo de marca ou estrutura que o classifique como tal.

O primeiro, num local clássico de nidificaçao, numa zona de montado marcada pela presença esporádica de um ou outro pinheiro bravo, o segundo, o tal do garrafão de vinho, num local menos usual, pelo menos para mim. Digo menos usual, pois não os tinha como espécie que nidificasse no meio de um eucaliptal, contudo e naquele caso concreto até que podia fazer algum sentido.

É uma ave insectívora de hábitos nocturnos, passando o dia escondida no solo ou mesmo em árvores, onde deposita total confiança a sua camuflagem.  

Comecei com alguma esperança e acabei com alguma tristeza, nenhum nos ninhos vingou e tal porque encontrei os adultos mortos, muito provavelmente por causa de uma raposa ou até de um saca-rabos. Entretanto, não encontrei mais nenhum.